Tag Patrimônio Histórico

Prefeito de Barreirinha quer demolir casa projetada por Lúcio Costa

O Amazonense, como se sabe, desconhece sua própria história. Agora estamos prestes a cometer mais um crime contra o patrimônio e herança cultural.

O prefeito de Barreirinha (AM), Mecias Pereira Batista (PSD), ameaça demolir a casa que o urbanista e arquiteto Lúcio Costa (1902-1998) projetou para o poeta amazonense Thiago de Mello, 87. A casa onde o poeta já viveu é uma das duas únicas obras de Lúcio Costa na Amazônia.

Casa projetada pelo Lúcio Costa. Pioneiro da arquitetura modernista no Brasil, ficou conhecido mundialmente pelo projeto do Plano Piloto de Brasília

Casa projetada pelo Lúcio Costa. Pioneiro da arquitetura modernista no Brasil, ficou conhecido mundialmente pelo projeto do Plano Piloto de Brasília

Mais conhecido como Mecias Sateré, o prefeito quer derrubar a casa a pretexto de revitalizar a orla de Barreirinha, cidade onde nasceu o poeta.

A obra de revitalização que ameaça a casa idealizada pelo autor do projeto do Plano Piloto de Brasília vai custar mais de R$ 1,3 milhões, de acordo com um convêncio entre a prefeitura e o governo do Amazonas.

– Existe gente grande e poderosa no Amazonas que não sabe quem foi Lúcio Costa. Estou chocado. O Amazonas não pode ferir a cultura brasileira derrubando uma casa projetada por Lúcio Costa. A barbárie não pode prevalecer – disse por telefone Thiago de Mello ao Blog da Amazônia.

Prefeito de Barreirinha quer destruir patrimônio cultural.

Prefeito de Barreirinha quer destruir patrimônio cultural.

A casa foi adquirida pelo governo estadual e repassada à prefeitura de Barreirinha, a 331 quilômetros de Manaus, para servir de espaço cultural. Há anos foi abandonada pelo poder público, embora constantemente seja apresentada ao mundo como traço da genialidade de Lúcio Costa na Amazônia.

O prefeito já demoliu a calçada e os jardins do Memorial Thiago de Mello para a construção de um muro de arrimo.

Na segunda-feira (28), a reportagem enviou e-mail à Secretaria de Comunicação do governo do Amazonas pedindo explicações, mas não obteve resposta, e não conseguiu falar com o prefeito de Barreirinha por telefone.

Chocado com a decisão da prefeitura e do governo estadual, o poeta Thiago de Mello enviou mensagem ao Blog da Amazônia em que pede apoio da opinião pública para defesa da obra de Lúcio Costa:

“Altino querido, companheiro de esperança. O teu barco solidário vara águas da floresta para defender a beleza ameaçada. Desta vez as águas são as do Paraná do Ramos, que banha a cidade de Barreirinha.
A beleza ameaçada é a de uma casa projetada pelo gênio de Lucio Costa, o urbanista e arquiteto brasileiro. É uma casa que Lucio inventou e eu construí, com a ajuda dos mestres carpinteiros da floresta.
A casa está erguida bem defronte do rio. Quem passa de canoa ou de navio fica só olhando as janelinhas dela, lá no alto do barranco.
Pois fiquei chocado nesta segunda-feira, quando o prefeito do município (ele não sabe direito quem é Lucio Costa ) resolveu demolir a casa, para construir a orla do porto da cidade, segundo projeto do governo estadual.
A notícia, que já chegou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, causa indignação e assombro. A Folha e O Globo já se espantaram.
É a tua vez, Altino. O teu blog não perde uma boa causa, a serviço da vida.
Faz a tua parte, ajuda o Amazonas a não passar essa vergonha de ferir feio a cultura brasileira.
Guarda a luz do nosso rio.

Thiago”

fonte: Terra Magazine

Marco Inicial da Avenida Constantino Nery

Buscando em livros e sites sobre a história de Manaus e tentando ampliar ainda mais meu conhecimento sobre a nossa terrinha, pude perceber o quanto estamos cercados de objetos que passam despercebido pelo nosso cotidiano. Outro dia, parei para prestar atenção nesta placa que esteve o tempo todo próximo de mim e nunca havia me dado conta de tamanha importância.

O pior é saber que morei a vida inteira próximo, passei diversas vezes pela frente e JAMAIS REPAREI NELA.

Trata-se de um pequeno obelisco que carrega a placa memorial da inauguração da rua João Coelho (1906) e que hoje em dia a chamamos de Avenida Constantino Nery.

Inaugurado em 8 de dezembro de 1906 pelo Excelentíssimo Senhor Doutor Antonio Constantino Nery, Governador do Estado. Sendo o Director das Obras Públicas o Senhor Doutor Jacinto Estellita Jorge.

Marco Inaugural da Avenida Constantino Nery (1906)

Marco Inaugural da Avenida Constantino Nery (1906)

De acordo com o blog do saudoso Carlos Zamith , a Avenida Constantino Nery já mudou de nome cinco vezes através de leis e decretos. Cronologicamente esses foram os diversos nomes atribuídos:

Lei nº 426, de 30-11-1905 – Constantino Nery para João Coelho;
Lei nº 999, de 26-03-1919 – João Coelho para Olavo Bilac;
Lei nº 1407, de 04-05-1927 – Olavo Bilac volta a Constantino Nery;
Decreto 03, de 01-11-1930 – Constantino Nery volta a Olavo Bilac;
Lei nº 295, de 12-10-1953 – Olavo Bilac volta a Constantino Nery.

Avenida João Coelho no Início do Século Passado

Avenida João Coelho no Início do Século Passado

Agora fiquei com curiosidade de fotografar e registrar os marcos históricos de outras avenidas históricas de Manaus! Você já viu a placa de inauguração da Avenida Djalma Batista? Avenida Getúlio Vargas? Avenida 7 de Setembro? Avenida Ramos Ferreira?

Você conhecia essa placa do marco inicial da Avenida Constantino Nery? Ela está localizada no obelisco que se encontra bem em frente a PROSEGUR (antiga NORSERGEL), ao lado do Terminal e integração da av. Constantino Nery (T1).

Fiquei curioso para saber o que leva nossos representantes públicos mudarem a toda hora o nome das avenidas e ruas de Manaus!? Recentemente a Prefeitura de Manaus voltou a trocar o nome das ruas sem consulta popular, ou mesmo sem consulta dos moradores. Se você precisar gerar nota fiscal, irá se deparar com um nome esquisito na sua residência. Agradeça ao excelentíssimo prefeito e sua trupe.

Nossa memória se perde devido essa confusão política que se faz, focada talvez na babaovice dos nossos representantes.

Um objeto que deveria ser cuidado e zelado se encontra completamente ao acaso, destruído, maltratado, e desconhecido. Tantos passam por ele e poucos são os que conhecem o seu significado.

AQUI EXISTEM HISTÓRIAS e MEMÓRIAS!

VAMOS MUDAR MANAUS!

Marco Inaugural da Rua João Coelho (1906), Atual Avenida Constantino Nery.

Marco Inaugural da Rua João Coelho (1906), Atual Avenida Constantino Nery.