Riot – Jogo de Protesto Popular

Idealizado por italianos, RIOT procura arrecadação colaborativa para lançar jogo para smartphones e computador. Um jogo no qual o usário pode interagir e escolher ser polícia ou manifestante durante um protesto popular “onde não há vitórias ou derrotas” e que esbanja aspectos morais e pontos de vista de ambos os lados. Com a proposta de contar a história desses confrontos, o time de produtores italianos do videogame RIOT recolhe dinheiro por meio de crowdfunding (arrecadação colaborativa) para viajar e documentar o que depois irá virar game. Tudo pode ser controlado via smartphone e computador.

Das ruas para os pixels: videogame quer simular ambiente de protestos populares

Das ruas para os pixels: videogame quer simular ambiente de protestos populares

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“Enquanto a crise econômica avança, o descontentamento de uma população inteira não pode evitar mas explodir em riots, onde o som de várias vozes são ouvidas de uma vez”, escreve o time em sua página riotgame.org. “O que é exatamente o gatilho dessas manifestações?” e “O que sente um policial durante o conflito?” são perguntas que os produtores procurarão responder.

E, para isso, os usuários passarão por experiências em protestos na Itália, Grécia, Egito, Rússia, Nova York e outros lugares do mundo. Apenas comentários de pessoas que estiveram em riots serão levados em consideração, “na busca de mostrar ambos os lados das lutas sem vieses, apenas objetivamente e com fatos”.

O time, liderado pelo editor e cinematógrafo Leonard Mechiari, diz que em um país “afundando em dívidas e corrupção, é praticamente impossível para nós achar um meio de financiar o projeto na Itália” e assim escolheram pedir ajuda financeira ao mundo. Por meio do site IndieGoGo, a ideia da iniciativa é explicada e um valor estipulado: US$15 mil. Além de custos de despesa dos envolvidos, o valor cobriria a fase de pesquisa e a compra de licenças para lançar o jogo em PC, Mac, iOS, Android e OUYA. Até o momento de conclusão desta matéria, a arrecadação chegava a US$9.757, com ainda 19 dias restantes.

RIOT tem se disseminado na Internet e atraído atenção de outros veículos. Um blog do The New York Times conta que Mechiari teve a ideia do jogo a partir de uma foto de um manifestante, sozinho, levantando uma placa em frente a uma linha de policiais em Cairo e foi influenciado por outro jogo, Superbrothers: Sword and Sworcery EP.

    À esquerda, foto no Cairo na qual Mechiari se inspirou; à direita, cena do jogo RIOT, que simula protestos contra polícia

À esquerda, foto no Cairo na qual Mechiari se inspirou; à direita, cena do jogo RIOT, que simula protestos contra polícia

Há um ano, o italiano participou de um protesto em Turim do movimento No TAV contra a construção de uma linha de trem super-rápido que cruzaria os Alpes, ação considerada anti-democrática e ecológica. Lá, Mechiari se sentiu em “um mundo paralelo”, com pessoas correndo na escuridão em meio a granadas. Impressionou-se com a dedicação dos manifestantes e com uma conversa que teve com um policial em um momento mais calmo, descobrindo que ambos os lados têm valores em comum.

O objetivo não é de expressar uma mensagem ideológica, mas de “replicar o sentimento que você tem quando a massa pensa como um único organismo”, de ilustrar o comportamento de ambos manifestantes e forças de segurança na mistura de paixão, adrenalina e caos dos protestos – e assim os jogadores poderão tomar escolhas “morais ou imorais”.

O jogador escolhe de que lado fica e, a partir disso, fica a seu cargo que tipo de decisões tomar

O jogador escolhe de que lado fica e, a partir disso, fica a seu cargo que tipo de decisões tomar

Entre os comentários na rede Reddit estão pessoas com receio de que seja superficial demais, apenas um jogo de minutos. Outro atenta para o fato de que, por ter a intenção de desenvolver na plataforma da Apple, os criadores provavelmente terão que adaptar o jogo para um ambiente limpo, familiar, sem controvérsias políticas ou sociais.

Mas a maioria mostra grandes expectativas para algo que possa parecer bem realista. Um deles menciona que o jogador será, na verdade, mais um espectador do que um herói, uma vez que é difícil ser um indivíduo em riots reais. O fato de que o jogo é montado em 16 bits (pouca qualidade de pixels) é destacada por outro como vantajoso, porque permite detalhes no corpo, mas não nos rostos, e assim mantendo o jogador focado na linguagem corporal.

O site Indie Statik diz que o jogo parece se inspirar em riots reais por se preocupar com vários aspectos do fenômeno: da cobertura midiática aos líderes políticos que criaram o ambiente para que as revoltas acontecessem.

Riot - o jogo que simula ambiente de protestos populares

Riot – o jogo que simula ambiente de protestos populares

Aliás, Mechiari já escreveu que recusou ofertas de várias empresas interessadas em financiar o projeto e que não teme a entrada no mundo Apple, porque “o jogo precisa se conectar com a população em geral, então se foca em mostrar a verdade na medida do possível for em vez de manipulá-lo para ganhar mais uns trocos”.

Jogadores de todo o mundo ainda descobrirão se o lema de RIOT emergirá em nossas telas portáteis: “Pare de ouvir às mentiras da mídia, desligue a televisão e se ponha à frente para lutar por sua liberdade de expressão”.

Confira o teaser do jogo


* Com informações de The New York Times, This is my joystick e Indie Statik

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Sou manauense, graduado em Design de Interface Digital, pós-graduado em Marketing, Propaganda e Publicidade pela Laureate International Universities e mestrando em Design da Comunicação na Politecnico di Milano - Itália. Sou o idealizador do No Amazonas é Assim e recebi o Prêmio Top Empreendedor nas Américas, além da Comenda da Cruz do Reconhecimento do Mérito do Empreendedorismo e a Cruz do Mérito da Amazônia, ambas as comendas outorgadas pela pela Câmara Brasileira de Cultura. Em meu blog, escrevo sobre Marketing Digital, Mídias Sociais, Branding, Gestão de Conteúdos Web, Turismo Cultural, Manaus de Antigamente além de Políticas Criativas.